Bioinsumos e autonomia tecnológica: o caminho da SSA Biofarm
De testes com biológicos no Paraná, em 1995, a uma unidade de produção de bioinsumos no Tocantins, reconhecida em 2026 pelo BioSummit. A trajetória de três décadas que levou a ASKJ a dominar a biologia que aplica na lavoura.

Em maio de 2026, Armin Michael Scherer foi um dos homenageados da premiação BioSummit Reconhece, em Campinas, dedicada a produtores com atuação em agricultura regenerativa e sustentabilidade. A homenagem não celebra um lançamento. Celebra uma trajetória que começou em 1995, com os primeiros testes de produtos biológicos nas propriedades da família no Paraná, atravessou a mudança para o Tocantins e hoje se concretiza na SSA Biofarm, em Aparecida do Rio Negro.
Este artigo conta esse caminho e explica o que está por trás de uma expressão que a ASKJ usa com frequência: autonomia tecnológica.
1995: os primeiros testes
Na década de 1990, os biológicos eram vistos com desconfiança pela maior parte da agricultura brasileira. Os inoculantes de soja já eram usados, mas a ideia de controlar pragas e doenças com fungos e bactérias parecia coisa de pesquisa. Armin Scherer começou a testar esses produtos em pequenas áreas, comparando resultados talhão a talhão, safra após safra. O que ele observou foi menos dependência de químicos, solo mais vivo e plantas mais tolerantes a estresse.
Essa curiosidade virou método. A cada ano, novos produtos, novas doses, novas combinações, sempre com área testemunha ao lado para comparar. O conhecimento acumulado nesse período é a base técnica de tudo o que a SSA Biofarm faz hoje.
O que mudou com o Tocantins
Quando a família expandiu a operação para o Cerrado tocantinense, encontrou condições diferentes das do Sul: solos mais ácidos e pobres em fósforo, chuvas concentradas, calor intenso e um período seco longo. Os biológicos comprados no mercado eram formulados para condições médias do país. Funcionavam, mas não na medida do que a experiência do Paraná sugeria ser possível.
A resposta foi conhecer melhor o solo local: quais microrganismos já viviam ali, o que faltava, o que respondia melhor à rotação e ao plantio direto. Esse trabalho mostrou que o passo seguinte não era comprar mais, e sim produzir.
2020: nasce a SSA Biofarm
A SSA Biofarm foi implantada em 2020, no Núcleo Serra Dourada, em parceria com os grupos Arapuá Agro e Santos Agropecuária. A unidade multiplica microrganismos em condições controladas, formula os produtos para as culturas e os solos das operações sócias e entrega o biológico fresco, dias antes da aplicação.
Hoje a unidade produz cerca de 400 mil litros de biológicos por ano, aplicados em aproximadamente 30 mil hectares, somando as áreas dos três grupos. O período de maior atividade vai de junho a agosto, quando a produção se concentra nos insumos para o plantio da soja; ao longo do ciclo, a unidade atende às aplicações foliares e ao manejo pós-colheita.
Desenvolver conhecimento fortalece a competitividade. Comprar tecnologia resolve uma safra; dominar a tecnologia resolve as próximas.
O que significa autonomia tecnológica
Autonomia não quer dizer isolamento. A SSA Biofarm trabalha com cepas registradas, com fornecedores de matéria-prima e com o conhecimento científico disponível. O que muda é onde fica a decisão e onde fica o aprendizado.
- A equipe sabe exatamente o que aplica: qual organismo, em que concentração, com qual objetivo.
- As doses e combinações são ajustadas ao solo e ao clima de cada talhão, não a uma média nacional.
- O resultado de cada safra alimenta a formulação da seguinte. O conhecimento fica na organização e passa de uma geração para a outra.
- O abastecimento não depende do estoque de terceiros no pico da demanda, nem de logística de longa distância para um produto vivo.
- O custo por hectare é conhecido e controlado, sem a volatilidade de um insumo comprado.
Ciência, regulação e responsabilidade
Produzir biológicos exige mais do que vontade. Exige controle de qualidade de cada lote, com verificação de viabilidade e pureza; estrutura adequada de multiplicação e armazenamento; e atenção à regulação federal sobre bioinsumos, que vem sendo consolidada nos últimos anos e define as regras para produção e uso. A SSA Biofarm acompanha esse processo e organiza a unidade para atendê-lo. Autonomia, aqui, caminha junto com responsabilidade.
O que a lavoura ganhou
Os efeitos aparecem no campo e no caixa. Menos adubo nitrogenado na soja, melhor aproveitamento do fósforo do solo, menor pressão de doenças de solo e um número menor de aplicações de defensivos químicos ao longo do ciclo. Com os anos, o solo responde: mais matéria orgânica, mais vida microbiana, palhada que se decompõe mais rápido e raízes que exploram melhor o perfil.
Para quem compra os grãos, o ganho é uma origem que usa menos agroquímicos e pode comprovar isso. Para a sociedade, é uma agricultura que aprende com a biologia em vez de combatê-la. Para a ASKJ, é a confirmação de que inovação faz sentido quando gera valor para as pessoas, fortalece os processos e evolui o sistema produtivo. A homenagem de 2026 reconhece exatamente isso: trinta anos de trabalho silencioso, medido safra a safra.


