Bioinsumos na lavoura: o que são, como agem e por que reduzem o uso de agroquímicos
Microrganismos que fixam nitrogênio, solubilizam fósforo e protegem a planta. Entenda o que a ASKJ aplica na soja, no milho e nas demais culturas desde o tratamento de sementes, como esses produtos funcionam e o que muda no resultado.

Bioinsumo é todo produto de origem biológica usado na produção agrícola: bactérias, fungos, vírus, extratos de plantas e substâncias produzidas por organismos vivos. Eles nutrem a planta, protegem contra pragas e doenças, melhoram o solo ou estimulam o crescimento. O Brasil tem hoje um dos mercados de biológicos que mais cresce no mundo, e a soja é a cultura em que a adoção avançou mais rápido.
Na ASKJ, os bioinsumos não são um complemento ocasional. Fazem parte do sistema de produção desde o tratamento de sementes e são produzidos na própria operação, na SSA Biofarm. Este artigo explica o que é aplicado, como age e por que isso importa.
Três grupos, três funções
Fixadores de nitrogênio. O nitrogênio é o nutriente que a planta mais consome, e a atmosfera é feita dele. O problema é que, no ar, ele está em uma forma que as plantas não absorvem. Bactérias do gênero Bradyrhizobium, aplicadas na semente da soja, formam nódulos nas raízes e convertem o nitrogênio do ar em uma forma que a planta usa. Bem feito, esse processo dispensa a adubação nitrogenada da soja. No milho, bactérias como Azospirillum fazem um trabalho parecido, de forma associativa, e permitem reduzir a dose de adubo químico.
Solubilizadores de fósforo. Os solos do Cerrado têm fósforo, mas boa parte está presa a partículas de argila e ferro, fora do alcance das raízes. Microrganismos como Bacillus e fungos específicos liberam ácidos e enzimas que soltam esse fósforo e o deixam disponível para a planta. O resultado é mais aproveitamento do que já está no solo e menos dependência do adubo fosfatado, cujo preço segue o mercado internacional.
Controle biológico. Fungos como Trichoderma e Beauveria, e bactérias como certas espécies de Bacillus, ocupam o espaço de patógenos e pragas, competem por nutrientes, produzem substâncias que inibem organismos nocivos ou os parasitam diretamente. Aplicados de forma preventiva e contínua, reduzem a pressão de doenças de solo, de lagartas e de percevejos, e diminuem o número de aplicações de defensivos químicos ao longo do ciclo.
Como a ASKJ aplica
- Tratamento de sementes: inoculantes e protetores biológicos aplicados na semente antes do plantio, para que a planta nasça com as bactérias e fungos benéficos já instalados.
- Sulco de plantio: aplicação de biológicos no momento da semeadura, diretamente onde a raiz vai se desenvolver.
- Manejo foliar: aplicações ao longo do ciclo, conforme o monitoramento de cada talhão, em substituição ou em complemento aos defensivos químicos.
- Pós-colheita: biológicos que aceleram a decomposição da palhada e preparam a área para a cultura seguinte.
Cada aplicação é registrada. O monitoramento de pragas e doenças, lavoura a lavoura, define quando o biológico basta e quando é preciso recorrer ao químico. O objetivo não é eliminar os defensivos a qualquer custo; é usar cada ferramenta na dose e no momento em que faz sentido, e reduzir de forma consistente a quantidade total de agroquímicos por hectare.
Um biológico aplicado no dia certo, com o produto vivo e na dose correta, vale mais do que dois químicos aplicados por precaução.
Por que produzir o próprio bioinsumo faz diferença
Biológicos são organismos vivos. Sua eficiência depende da concentração de células viáveis no momento da aplicação, da compatibilidade com outros produtos na calda e do tempo entre a produção e o uso. Um produto que viaja milhares de quilômetros, passa semanas em depósito e enfrenta calor no transporte chega à lavoura com parte da vida perdida.
A SSA Biofarm produz os biológicos no Núcleo Serra Dourada, a poucos quilômetros das lavouras, nas semanas que antecedem a aplicação. O produto chega fresco, formulado para as culturas e para o solo da própria operação, com controle de viabilidade e pureza em cada lote. Isso aumenta a resposta no campo e reduz o custo por hectare.
O que muda no resultado
Os efeitos se acumulam com o tempo. Nos primeiros ciclos, a redução de adubo nitrogenado na soja e de parte do fosfatado já aparece no custo. Com a continuidade, a vida do solo aumenta, a palhada se decompõe mais rápido, as raízes exploram melhor o perfil e a planta fica mais tolerante a estresses de seca e de calor. A pressão de doenças de solo cai, e com ela o número de intervenções químicas.
Para o comprador do grão, o resultado é um produto cultivado com menos agroquímicos, de uma origem que pode demonstrar isso com registros. Para a sociedade, é uma agricultura que usa a biologia a seu favor, em vez de combatê-la.
Um campo de conhecimento em construção
A regulação brasileira dos bioinsumos é recente. A legislação que organiza a produção para uso próprio e o registro de produtos comerciais ainda está sendo consolidada, e as boas práticas avançam a cada safra com a experiência de quem aplica. A ASKJ participa desse processo como quem produz, aplica, mede e ajusta. O conhecimento gerado em cada ciclo alimenta as formulações do ciclo seguinte. É assim que uma prática vira sistema.


