Governança em empresa agrícola familiar: sucessão definida, decisões consistentes e compromissos do setor
A produtividade não é construída apenas no campo. Planejamento, gestão de riscos e governança decidem se uma empresa agrícola atravessa gerações e se ela consegue avançar com os compromissos que o setor assumiu diante da sociedade. Como a ASKJ organiza isso.

Grande parte das empresas agrícolas brasileiras é familiar. É uma força: proximidade com a operação, decisões rápidas, visão de longo prazo que uma empresa de capital aberto raramente tem. É também um risco: quando família e empresa se confundem, decisões importantes ficam reféns de conversas de almoço, a sucessão vira tabu e o negócio depende de uma pessoa só. Governança é o conjunto de regras que preserva a primeira parte e elimina a segunda.
O que governança significa em uma fazenda
No vocabulário das grandes empresas, governança evoca conselhos, auditorias e relatórios. Em uma empresa agrícola familiar, o conceito é o mesmo, mas a forma é mais simples: quem decide o quê, com base em que informação, com que frequência e com que registro. Governança é saber que uma decisão de compra de máquina, de abertura de área ou de contratação segue um caminho definido, e não o humor de uma semana ruim.
Na ASKJ, a governança se apoia em quatro práticas.
- Papéis claros entre os sócios: cada membro da família responde por uma frente, com responsabilidades conhecidas por todos. A face da operação de campo, a gestão e o planejamento, os valores humanos e a cultura, a visão e o legado.
- Ciclo anual de planejamento: no vazio sanitário, a gestão revisa a safra, analisa cada talhão, define a rotação, os insumos e o orçamento do ciclo seguinte. Nenhuma safra começa sem esse fechamento.
- Indicadores por ciclo: produtividade por área, custo por saca, consumo de insumos, resultado financeiro, situação de licenças e cadastros. O que se mede é discutido; o que não se mede não existe.
- Sucessão definida: a entrada da nova geração na condução da operação foi planejada, com formação, responsabilidade crescente e regras acordadas entre os sócios.
Sucessão: o tema que ninguém quer tratar
A maioria das empresas familiares não sobrevive à terceira geração. A causa raramente é o mercado; costuma ser a ausência de um plano. Quando o fundador deixa de decidir, de repente ou aos poucos, os herdeiros descobrem que nunca combinaram como seria.
A ASKJ tratou desse assunto cedo. A trajetória da família Scherer atravessou um continente e várias gerações de agricultores; a decisão de expandir para o Tocantins foi tomada em conjunto, e a condução das fazendas já é compartilhada entre duas gerações. Definir a sucessão não significa afastar quem fundou o negócio. Significa garantir que a experiência de quem construiu e a energia de quem continua trabalhem na mesma direção, com regras conhecidas.
Uma empresa que sabe quem decide amanhã consegue assumir compromissos de dez anos hoje. É isso que bancos, compradores e parceiros procuram quando falam em previsibilidade.
Governança como instrumento para avançar nos compromissos do setor
A agricultura brasileira assumiu compromissos relevantes nas últimas duas décadas: o Código Florestal, os acordos com o Ministério Público Federal, os termos de conduta firmados com a sociedade civil, as políticas de compra das indústrias e, mais recentemente, as exigências de regulações internacionais sobre produção livre de desmatamento. Nenhum deles se cumpre sozinho. Cada um exige que alguém, dentro da empresa, seja responsável por acompanhar, documentar e responder.
É aqui que governança e sustentabilidade se encontram. Sem uma estrutura de decisão e registro, a conformidade depende da memória das pessoas. Com ela, os compromissos viram rotina: a renovação de uma licença entra no calendário, a rastreabilidade por lote é produzida automaticamente pelo controle de armazenagem, os dados de geolocalização das áreas ficam prontos para qualquer diligência, e os indicadores socioambientais são revisados junto com os financeiros.
A ASKJ entende que o setor só vai avançar de forma consistente nesses compromissos se cada empresa fizer sua parte com método. Por isso, trata a governança corporativa como ferramenta de sustentabilidade, e não como formalidade.
O que muda na prática
Alguns efeitos concretos da governança na operação:
- Decisões de investimento, como a SSA Biofarm e a geração fotovoltaica, foram tomadas com base em análise, aprovadas em conjunto e acompanhadas por indicadores. Não dependeram de intuição individual.
- A relação com bancos e instituições de crédito se tornou mais simples: a empresa apresenta histórico, planejamento e situação regulatória organizados, e obtém condições melhores.
- Os compradores recebem, no ato da venda, as informações de origem que suas políticas exigem, sem retrabalho.
- A equipe sabe a quem recorrer e por quais critérios é avaliada, o que reduz conflito e aumenta a retenção de conhecimento.
Transparência como próximo passo
O estágio seguinte da governança é publicar. A ASKJ está organizando os indicadores de produção, de emprego e de conformidade para divulgá-los no site, por safra. Uma empresa que mostra seus números assume o compromisso de melhorá-los. Esse é o papel que a marca reconhece para si: produzir com responsabilidade, provar que produz assim e contribuir para que a agricultura brasileira seja reconhecida pelo que faz de certo.


